Observatório Alviverde

24/09/2017

VITÓRIA MUITO MAGRA DO PALMEIRAS SOBRE O FLUMINENSE NO MARACANÃ!


(Comentário redigido no intervalo do jogo)
 
Este blogueiro, particularmente, não tem o que reclamar e nem do que reclamar neste intervalo do primeiro para o segundo tempo.

Entendo que o Palmeiras mesmo sem jogar o que sabe e pode, atua com raça, disposição e faz por merecer o 1 x 0, placar este que só não foi maior porque Daronco não permitiu.

Além de não ter assinalado um pênalti claro de Léo em Dudu, o árbitro gaúcho permitiu que o Flu abrisse a caixa de ferramentas, baixasse o pau o tempo todo, fazendo vistas grossas  ao jogo violento imposto pelos cariocas.

Aliás, nunca vi time tão faltoso como esse do Abel Braga que dá pancada o tempo todo e parece, muito mais, um time de luta livre!

O Palmeiras, outra vez, (mais uma vez), repete a falha dos jogos anteriores que é a ausência de um meia de ligação, mas parece que será assim até o final da temporada.

Cuca parece não gostar do futebol do venezuelano Guerra, Raphael Veiga até hoje não se soltou e Hyoran é um jogador em formação que nem era expoente da Chape quando o precipitado Mattos foi buscá-lo, a peso de ouro.

Em razão de não ter o meia de seus sonhos, Cuca opta por programar taticamente o time através de outro esquema, o que dificulta -demais- o ajuste do time na chamada zona de "raciocínio".

Com um armador nato categorizado ao lado os jogadores de velocidade de que dispõe, o Palmeiras teria despejado uma sacola de gols em cima do time carioca só neste primeiro tempo.

E, no entanto, só conseguiu assinalar um golzinho magro que, apesar de tudo, fez justiça ao predomínio do Palmeiras, ao menos até agora.

O interessante é que há algum tempo atrás o Palmeiras era um time de bola curta e de toques, mas hoje, em face da inexistência de um meia categorizado, acabou se tornando um time de lançamentos longos, daqueles aos quais chamamos de "time de bola comprida".

Interessante que o Verdão só consegue jogar assim em face das versatilidades de Moisés e Tchê, da velocidade e das deslocações contínuas de todos os seus atacantes, do apoio de excelência de Egídio que parece estar voltando à forma antiga e, principalmente, da existência de um "pivozaço, aço, aço" que atende pelo nome de Deyverson.

Por falar em Deyverson, trata-se de um canhoto que taticamente (eu disse taticamente) é um jogador de múltiplas utilidades, embora diferente dos sonhos daqueles que imaginam (ainda) que o futebol de hoje, xerox do europeu, seja o mesmo de há 20 ou mais anos.

Isso, infelizmente, nem existe mais!

O que existe (no mundo do futebol) ressalvados uma minoria de times que conseguem encontrar um fora-de-série para a função (são pouquíssimos no planeta), os demais têm de encontrar uma fórmula de jogo para atuar sem esse homem.

O Palmeiras, parece, o encontrou! É apenas por isto que Borja fica no banco!

Ah, antes que eu esqueça, o Palmeiras que estou vendo não está jogando contra o vento, mas contra o Fluminense, um adversário de tanta tradição quanto o são todos os grandes times do Brasil.

Prevejo para o 2º tempo um Flu mais agressivo, embora imagine uma vitória tranquila do Verdão, com a marcação de, ao menos, mais um gol, em face de o Palmeiras poder atuar, a partir de agora, na espera e em contra-ataques, provavelmente, com muito menor dispêndio de energia! (AD)

O 2º TEMPO
(Comentário publicado após o jogo) 

Foi bem mais difícil do que eu imaginava o triunfo do Palmeiras sobre o Flu. Pode-se dizer mesmo que ocorreu com uma grande dose de "sofrência' e na 'bacia das almas". A comprovação do que afirmamos reside no fato de que o melhor jogador do Verdão foi o goleiro Fernando Prass.

A única ressalva que faço a Prass é o excesso de defesas socadas e parciais em que ele fez uso, repetidamente, do recurso de espalmar muitas bolas e provocar muitos rebotes, quando poderia ter segurado com firmeza a maior parte delas.

Em relação ao time, Cuca, como de hábito, o recuou e o fez encolher na etapa complementar. Ele tinha em mente o objetivo de impor o jogo da espera e dos contra-ataques, a fim de explorar com solércia e inteligência a vantagem obtida na etapa inicial.

No entanto Cuca se esquece que esse seu costumeiro recurso está sempre e cada vez mais difícil de implantar, na medida em que os adversários já o conhecem.  Em razão disso todos eles se previnem e, ao mesmo tempo impõem sempre um jogo ofensivo intenso porque sabem que o Palmeiras não possui lançadores eméritos para dar o troco com eficiência e em sua plenitude. 

Apesar de todas essas dificuldades, ainda assim o Palmeiras dispôs no jogo de hoje (ontem) de, no mínimo, dois lances esclarecidos para definir o jogo, tendo perdido um deles com Moisés aos 9 ms (depois de grande jogada de Deyverson) que chutou na trave e o outro com Juninho que (livre e com o gol a sua mercê) chutou, incrivelmente, em cima do goleiro.

Ressalte-se que o jogo, na etapa derradeira, esteve sempre aberto com o Flu tomando as iniciativas e o Palmeiras contra-atacando perdendo o gol mais feito do jogo. 

Jogando pra frente e indo pra cima com empenho, esforço e gana, mas com pouco futebol, ainda assim o Flu ameaçou seriamente a vitória alviverde, mantendo a bola e impondo o seu domínio por grandes lapsos de tempo no próprio campo defensivo alviverde e desfrutando de algumas boas chances para empatar. 
 
Mantendo a marcação forte do início ao fim do 2º tempo e configurando uma autêntica retranca, Cuca colocou Róger Guedes e Thiago Santos nos lugares de Deyverson e Jean para aumentar a força  defensiva e obter espaço para aplicar a velocidade nos contra-ataques. 

Aí, repito, faltou o lançador, o armador, o catapultador, já que o Palmeiras não dispõe de um único atleta adequado a essa característica de jogo, exceção feita, talvez, ao venezuelano Guerra que por outros motivos, entre os quais a pequena força física e a pequena massa corporal, de há muito Cuca o afastou da titularidade.

O Palmeiras lançou mão, também, do recurso do toque de bola, procurando mantê-la sob domínio pelo maior tempo possível, naquilo a que chamamos de "cera técnica" fazendo uso deste estratagema sempre que foi possível.

Mas, como dizia o grande palmeirense Ennio Rodrigues Caraça, um dos maiores locutores da história do rádio brasileiro em todos os tempos, um dos titulares da Rádio Bandeirantes SP, meu grande amigo de profissão oriundo de Araraquara, falecido há alguns anos e a quem saúdo neste instante...

"O QUE VALE É BOLA NA REDE"... (AD)

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FICHA TÉCNICA DE FLUMINENSE 0 x 1 PALMEIRAS

Local: Maracanã, Rio de Janeiro   

Árbitro: Anderson Daronco 
Prejudicou muito o Palmeiras permitindo a violência do Flu. Deixou de assinalar um pênalti muito visível de Léo sobre Dudu. Amarelou Edu e Dracena que não poderão enfrentar o Santos no próximo sábado.   Nota 5
 
Assistentes: Rafael da Silva Alves e Elio Nepomuceno de Andrade Junior 
Razoáveis. Nota 7
 
Público: 13.145 pessoas (11.208 pagante) Renda: R$ 353.660,00 
Público e renda pequenos, mas foi boa a presença da torcida do Verdão.
Cartões amarelos:  
Lucas e Nogueira (FLU); 
Se Daronco aplicasse as leis do jogo, teria amarelado mais de meio time do Flu.

Edu Dracena e Egídio (PAL)

GOL:
PALMEIRAS: Egídio, aos 41 minutos do primeiro tempo

ESCALAÇÕES: 
FLUMINENSE: Júlio César; Lucas, Nogueira, Frazan e Léo; Orejuela (Marlon Freitas), Wendel e Douglas (Sornoza); Gustavo Scarpa; Robinho (Wellington Silva) e Henrique Dourado
Técnico: Abel Braga

PALMEIRAS: 

Fernando Prass; 
O melhor do time, o craque do jogo. Garantiu a vitória mínima! Nota 8,5.

Mayke,  
Obediente tático, guarneceu sempre a posição formando dupla com o atacante que recuava para dobrar a marcação. Dobrou, primeiro com Willian, Tchê e até com Jean, Depois, com Róger Guedes. Seguindo a ordem de Cuca, Mayke apoiou pouco, quase nada, mas defendeu muito, quase tudo.  Nota 7

Edu Dracena,
Está fazendo a torcida esquecer Mina, a quem substitui à altura e algumas vezes até com vantagem. Uma pena que esteja fora do clássico de sábado que vem contra o Santos. Com a ausência de Dracena, se Mina não jogar, o Palmeiras, dificilmente terá alguém que o substitua à altura.  Nota 8. 

Juninho 
Subiu muito de produção mas ainda não infunde total confiança na galera verde. Seu grande teste ocorrerá sábado próximo diante do Santos.  Nota 7.

Egídio; 
Mesmo cometendo uma bobeada infantil ao ceder de graça um córner para o Flu no 2º tempo e em um momento grave do jogo, Egídio cumpriu uma de suas melhores atuações com a camisa do Verdão. Sua apresentação foi coroada com um golaço à média distância em um chute de muita precisão.  Pena que o cartão amarelo também o retira do clássico de sábado contra as sardinhas. Nota 7,5

Jean 
Jogador taticamente importante, não obstante boa parte da torcida criticá-lo em demasia, ele esteve razoavelmente bem no 1º tempo, mas caiu muito de produção no 2º tempo, quando faltaram-lhe fôlego, gás e um melhor condicionamento fisico-técnico. Nota 6

(Thiago Santos)
Entrou ao final do jogo com os costumeiros esforços, aplicação e boa vontade, mas ficou apenas e tão somente restrito a isso. Nota 6

Tchê Tchê
Ótimo na destruição, nas deslocações e na apresentação para o recebimento do passe, mas, em matéria de construção de jogadas, nas chegadas e nas tabelas para o arremate ao gol esteve muito aquém do que sabe e pode. Nota 6,5. 

Moisés;
Muita luta, muito esforço, muita liderança em campo, mas muito longe -ainda- do jogador decisivo da temporada passada antes da fratura que sofreu e que o tirou tanto tempo dos campos de futebol. Em todo caso, na atual circunstância, muito melhor com ele e muito pior sem ele. Nota 6,5

Willian 
Em sua pior apresentação dos últimos tempos Willian parece ter sentido a ameaça divulgada exaustivamente pela mídia, segundo a qual ele pode pegar uma punição de suspensão por doze jogos em decorrência de ter "agredido" Valdívia, do Atlético Mineiro.  Nota 5

(Borja)
Entrou no finalzinho do jogo e não houve tempo para que mostrasse nada. Sem Nota

Dudu  
Foi outro que, apesar do esforço, esteve longe do que sabe e pode render. Fique claro, Dudu nunca foi, não é e só virá a ser um meia de ligação mediante muito treinamento. Como essa adaptação demora muito, o melhor mesmo é que ele continue como atacante, trabalhando mais nas imediações da área adversária. Nota 6

Deyverson 
Não esperem que Deyverson faça muitos gols porque ele é um centro-avante de estilo diferente e, taticamente, na qualidade de pivô, muito mais um preparador de jogadas. Graças a Deyverson que o Palmeiras está podendo se arriscar a jogar sem um meia armador de ofício, como exige o manual.  O gol da vitória contra o Flu teve, em seu início, o carimbo de Deyverson. Nota 7

(Róger Guedes)
Cuca errou ao colocá-o em campo tão tardiamente e muito mais para acompanhar o lateral esquerdo do Flu do que propriamente para fazer o que ele mais sabe, isto é, atacar, ousar e arriscar. Ouso dizer que Cuca está desperdiçando o imenso talento de Guedes. Nota 6.

 
Técnico: Cuca
Fez o trivial, o previsível, e tudo o que já sabiam e esperavam dele. Entre erros e acertos pode-se dizer que jogou com o regulamento nas mãos, o chamado futebol de resultados. Sem preocupações de ordem técnica, muito longe do chamado futebol de ostentação ou de exibição, Cuca, simplesmente, ganhou os três pontos necessários para que o Palmeiras pudesse aproveitar as perdas de pontos do Curica, do Grêmio e do Fla e mantivesse o foco da conquista do título. Nota 7.

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