Observatório Alviverde

17/09/14



 Substituição no Flamengo. Saiu Zico, entrou Zica!

A necessidade está obrigando o Palmeiras a lançar mão dos garotos da base e promovê-los ao time principal, em razão dos crônicos problemas de cartões, suspensões, e, principalmente, de contusões que implodem o Palmeiras.

Mais do que isso, o "pãodurismo" de Nobre, um ótimo gerente da Sociedade Esportiva e, ao menos até agora, um mau presidente do Palmeiras, também contribui para que uma renovação forçada, a partir da base, se processe, trazendo em seu bojo aspectos positivos e negativos.

Os positivos, a partir da integração de jogadores jovens, a custo quase zero, identificados com o clube, ansiosos por crescer na profissão, vontadosos, trabalhadores, aplicados, interessados e, via de regra, cumpridores de suas obrigações.

Na verdade, a promoção de garotos da base oxigena o grupo, diminuindo-lhe a média de idade, tornando-o mais competitivo!

A um só tempo, promove aquilo com que os palmeirenses de melhor cepa tanto sonham, isto é, a montagem de um time jovem, em contraposição aos times de vovôs que costumamos montar em relação aos nossos adversários.

O Palmeiras, que investe uma "grana preta"" nas categorias menores, nunca apresentou no decorrer de sua história, uma renovação de valores via base.

A necessidade, porém, está clamando por isso e, ainda que sem querer e ao arrepio da torcida uniformizada, o Palmeiras, este ano, está sendo obrigado a trabalhar a base e aproveitar o que ela oferece de melhor.

Embora sem agradar a todos, a ação é positiva, posto que cria a perspectiva de venda dos jovens que que se destacarem.

Essa perspectiva me faz lembrar de Mazola, que era tão bom quanto Pelé (vi os dois jogarem e eles eram concorrentes), que veio em tenra idade de Piracicaba e começou a carreira entre os juvenis do Palmeiras, conforme a nomenclatura daquela época. 

Com o dinheiro da venda de Mazola para a Itália antes da Copa de 58, o Palmeiras reformou o Parque Antártica e deu início a formação do timaço que ganhou o "super-campeonato" de 1959 e foi o embrião do qual foi gerada a nossa primeira academia, sem qualquer dúvida o melhor entre todos os times do Palmeiras que vi jogar, um verdadeiro "butantã" como se dizia à época, em razão de tantos "cobras" que nele jogavam.

Vai, agora, que dessa enorme safra em atividade, o Palmeiras revele um grande jogador - é muito possível-, consiga engatar uma grande negociação com o exterior.

Pronto, será suficiente para que o clube empreenda uma nova arrancada heróica, mas, dessa vez fora de campo. 

O novo estádio será um elemento facilitador e propício para esse tipo de negócio, mas para poder atingir esse objetivo, o Palmeiras tem, antes, de colocar a garotada para jogar no time principal, com confiança e ousadia..

O lado negativo é que esta temporada de 2014 não está sendo propícia para o lançamento de jovens, em razão da situação aflitiva do time, ameaçado de rebaixamento, cuja campanha é irregular, gerando falta de confiança da maior parte do elenco, sobretudo em razão da excessiva cobrança da torcida.

Eu, particularmente, talvez pelo fato de morar Minas e acompanhar o trabalho dos três clubes de Belo Horizonte há tantos anos, a partir de suas respectivas categorias de base, creio que a renovação pode ser deflagrada em qualquer circunstância, até nesta, terrível, em que vive o Palmeiras, pois, é na hora da crise que se revelam as lideranças e os melhores jogadores.

Cruzeiro, Atlético e até o desprezado América, este Palmeiras mineiro pela forma como é tratado pela mídia, sempre foram times de vanguarda no país, em matéria de renovação de valores!

É óbvio, porém, reconheço, que se o time estiver harmonizado, a garotada terá muito mais facilidade para desinibir-se, mostrar serviço e ganhar um lugar ao sol. 

No caso particularíssimo do Palmeiras, o futebol imita Deus e está escrevendo certo por linhas tortas.

Nunca, da década de 50 aos dias de hoje, o Palmeiras teve tanta gente da base requisitada para a concentração e escalação no time principal, ainda que o adversário de hoje seja o perigosíssimo Flamengo. Em anos anteriores, nem se cogitaria da possibilidade. 

Lembro-me de um Palmeiras X Cu-rintia em que Adãozinho, meiocampista de tão baixa estatura jogou de zagueiro, porque toda a defesa estava impossibilitada de atuar. 

Nem assim o Palmeiras convocou a garotada da base, tal, sempre, foi o desprezo com que o clube e a torcida trataram os meninos que, em compensação apenas, usavam o Palmeiras como escada para, depois, brilhar e arrebentar em outros times. Os exemplos recentes são Wilsinho Traíra, Bruno César e Elias.

Na relação dos vinte e três convocados para a concentração visando ao jogo de hoje contra o Flamengo, o Palmeiras tem, da base:

1) Fábio goleiro de um enorme potencial mas que precisa de mais lapidação e cancha.
2) João Pedro, a quem não conheço, mas que começa jogando em razão da irregularidade de Welder, cuja contratação, até agora, não correspondeu nem às piores expectativas.
3) Victor Luís melhor do que todos os laterais palmeirenses dos últimos anos, melhor até do que Juninho.
4) Nathan zagueiro que estreou e não decepcionou contra o Flu.
5) Gabriel Dias, a quem não conheço.
6) Matheus Sales, também não conheço.
7) Patrick Vieira. Felipão acabou com Patrick, mas ele é jovem e pode, perfeitamente, se recuperar.
8) Deola e Bruno César, em última análise, são oriundos de nossa base.

HOJE CONTRA O FLA, O PALMEIRAS TERÁ NOVE JOGADORES DA BASE, ENTRE OS QUE JOGAM E OS QUE FICAM NO BANCO.

SE CONSIDERARMOS OS CONTUNDIDOS,  -Wendel, Wellington e Bruninho e o goleiro Bruno, terceiro reserva-, O PALMEIRAS APRESENTA , NESTA DATA, A MARCA HISTÓRICA DE DOZE ATLETAS DA BASE ABSORVIDOS PELO TIME PRINCIPAL, FORA ALGUM OUTRO JOGADOR QUE EU TENHA ESQUECIDO DE INCLUIR NA LISTA.. 

Apesar, como disse, das circunstâncias desfavoráveis, essa nova consciência, essa nova mentalidade servirá como aprendizado, principalmente, à torcida que adora o time cheio de figurinhas carimbadas. O grande problema é o risco que estamos sofrendo!

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra, Nobre deveria ter investido em um centroavante e em um meia de ligação que pudesse substituir Valdívia, senão à altura, mas que, ao menos, chegasse, tecnicamente, perto do chileno

Com esse procedimento, o presidente equilibraria os números no campeonato, estabilizaria o time, aliviaria um pouco o estresse do treinador e proporcionaria melhores condições para o aproveitamento dos garotos. 

Agora será na base da atropelada, com a vantagem, conforme eu frisei, de o Palmeiras poder apurar os melhores caracteres e aqueles que, de fato, estão, também psicologicamente, prontos para a titularidade.

...................................

Sobre o jogo de hoje contra o Flamengo, concordo com a substituição de Fábio por Deola, um goleiro pronto e muito mais experiente.

Sem conhecer João Pedro, gosto de sua no lugar de Weldinho que, até hoje, só jogou bem contra o Criciúma, se não me falha a memória.

Apesar de Vitorino estar se firmando, sinto muito mais firmeza na escalação de Lúcio, mais jogador e mais líder.

Nathan não decepcionou contra o Flu e tem nova chance no time titular, embora eu preferisse a zaga, para o jogo de hoje, com Lúcio e Vitorino ou Tóbio, o que, infelizmente, é impossível.

Tenho as minhas dúvidas em relação ao meio de campo, que, para mim, é exageradamente ofensivo se figurar com os nomes anunciados.

Entendo, até, que pode repetir o fiasco da fraqueza de marcação dos meios de campo (parecidos) lançados, inconsequentemente, por Gareca. 

A minha duvida reside no fato de, entre todos, apenas Renatinho saber marcar bem e Juninho, razoavelmente, porque nem Diogo e nem Mouche são jogadores competentes no desarme.

É óbvio que, taticamente, Lourival pode surpreender segurando um pouco mais os laterais, ou empreender qualquer outro artifício tático que possibilite o time ser armado, muito mais, com jogadores de características ofensivas, mas essa não é uma tarefa fácil. 

Pago pra ver, muito temeroso, por sinal, porque sei, perfeitamente, que o Flamengo de Luxa é um time, basicamente, de contra-ataques.

Se não forem tomadas certas medidas de contenção a esse sistema do time carioca, rapidíssimo, velocíssimo, o tiro tático de Dorival pode sair pela culatra.

Gosto da idéia de Valdívia ficar no banco e somente se aproveitado no decorrer do jogo, quando o time do Flamengo estiver um pouco mais limitado fisicamente.

Por falar em Valdívia, o Palmeiras deveria, como propus, ontem, usar os meios de comunicação para alertar que ele poderá ser vítima da truculência da zaga flamenguista, a qual pertence um dos mais toscos e violentos zagueiros em atividade no futebol brasileiro, o ex-curintiano Chicão.

Um trabalho forte nesse sentido, coibiria, em parte as ações dos adversários e blindaria aquele que é o nosso principal jogador e que, são e sem problemas, tem condições, de sobejo, para tirar o time do Palmeiras desse marasmo técnico em que se encontra e voltar a trilhar o caminho das vitórias.

VOCÊ ACREDITA EM UMA VITÓRIA PALMEIRENSE HOJE NO PACAEMBU CONTRA O FLAMENGO?

COMENTE COMENTE COMENTE