Observatório Alviverde

30/09/14

VAMOS SAIR DESSA ENRASCADA!




 
                                             Tem de dar certo!

Antecipei a minha previsão (costumo agir assim) ao afirmar, com ampla antecedência, que, sob Dorival Jr., a recuperação do Palmeiras neste Brasileiro, sim, ocorreria, porém de forma lenta e gradual, com extrema dificuldade. Está acontecendo!

Espero, apenas, que ele não reedite Kleina, cuja personalidade e metodologia de trabalho são, em tese, parecidas com as dele. 

Kleina -antecipei e acertei, -não era difícil- não seria capaz de tirar o Palmeiras do descenso, (havia, sim, condições embora pequenas) pelas mesmas circunstâncias que, hoje, atormentam Dorival, principalmente a exiguidade de tempo. 

A única chance do Palmeiras, temporada retrasada, poderia advir através do incendiário e rejeitado Jair Picerni ou com alguém de um perfil profissional semelhante. Picerni não veio. Deu no que deu!

Quando, há semanas, após o jogo contra o Sport em Recife, antecipei-me à toda mídia palestrina (à midia comum, o assunto não interessava) pedindo, imediatamente, a cabeça de Gareca, o fiz em decorrência de nossas amargas vivência e experiência em 2.012. 

Para isto, principalmente, serve o passado! Não podíamos incorrer nos mesmos erros dos anos em que fomos rebaixados. E, no entanto, quase incorremos!

Entretanto, não posso -ninguém pode- retaliar Nobre, nem mesmo os seus figadais inimigos eleitorais, por qualquer omissão, incerteza ou demora na demissão do impotente argentino que dormia à beira do gramado.

Fique claro, porém que a sua equivocada opção por Dorival, foi um formidável erro de avaliação e de conhecimento do mercado. Onde estava Brunoro que não viu semelhante furo?

A propósito, de passagem, o que faz Brunoro no Palmeiras? 

Ganha! 

Ganha?

Só!

Poderá ser muito útil se o Palmeiras resolver montar um ótimo time de volei! Torço para isto!

Picerni, o desprezado, o preterido, em que pese a idade provecta, era, sem qualquer dúvida, o melhor nome entre todos os disponíveis no mercado, mas como segunda alternativa! 

Argel Fucks, muito mais novo, porém rodadíssimo, do mesmo padrão comportamental de Jair, tão motivador, incendiário e expansivo quanto ele, (quem sabe, até, mais!) seria, entretanto, ao menos em meu entendimento, a nossa melhor alternativa. 

A contratação de Argel ofereceria como "plus", como algo mais, como acréscimo, o fato de enfraquecer, desestabilizar e desarmar um adversário direto na luta contra o descenso, o Figueira, na hora decisiva do Brasileirão!

A grande dúvida, se Dorival repetirá Kleina neste triste 2014,  persiste, recrudesce, mas, a experiência maior de Dorival em relação ao antecessor, poderá, sim, pesar de maneira positiva às pretensões e objetivos do Palmeiras. 

Que o time vai se recuperar, sou convicto de que vai. Só não posso precisar (esse é o meu medo), se, a tempo de nos salvar de uma precoce degola! 

Fica o consolo de que, se não, Dorival, a exemplo de Kleina, será o melhor nome possível para uma nova campanha de acesso que, positivamente, eu, você e nenhum palmeirense merece!

À distância, entendo que o grande problema de Dorival (sei e que ele conhece profundamente o futebol) é sua personalidade ensimesmada, introspectiva e o seu jeito demasiadamente sério e (muitas vezes) carrancudo de ser. 

A pequena expansão de sua personalidade em direção ao que se chama de atitudes motivadoras e a sua aversão ao exagero emocional, justamente os aspectos que têm o condão de emular e incendiar um grupo em busca de um objetivo mais distante, difícil ou (quase) impossível, é o aspecto que mais me preocupa e importuna.

Pelo que vi e senti das participações de Dorival, enquanto comandante do Santos, do Cruzeiro, do Galo Mineiro e de outras equipes, do ponto de vista da vetusta Teoria Hipocrática dos Quatro Humores, evidencia-me o seguinte:

Entre os quatro comportamentos previstos, só não se pode colocar Dorival como fleugmático, embora um traço importantíssimo desse caráter, vinca, marcantemente, a sua personalidade: o racionalismo. Isto é ótimo!

Em análise à distância, parece-me que o traço predominante da personalidade de Júnior, é o do colérico, que, conquanto não emerja em sua plenitude, é, em meu entendimento, aquele predominante que, efetivamente, o conduz em suas principais decisões.

A exemplo de seu tio, Dudu, celebrado jogador palmeirense dos anos 60(s) e 70(s), líder da segunda academia palmeirense, Dorival, do ponto de vista comportamental também, é um colérico, embora contido, educado, sem o carisma de Dudu! 

Exemplifico: Lembram-se do "affair"recente Junior/Neymar, ao tempo em que ele dirigiu o Santos? 

Perdeu o emprego, por isso! Sobrou-lhe autoritarismo, porém faltou-lhe jogo de cintura e ele perdeu a batalha em que estava em jogo a imposição de sua autoridade!

Segundo Hipócrates, o marco mais acentuado da personalidade dos coléricos é o idealismo! 

Júnior, nota-se claramente, é um incorrigível idealista, ainda mais neste momento ímpar de sua carreira, em que dirige o seu time de coração!

Com nítida vocação ao tradicionalismo e ao conservadorismo, essa faceta de Júnior já ficou bem claramente exposta ainda nesta sua passagem pelo Verdão, quando ele recusou-se, terminantemente, a elaborar uma lista de dispensas, o que, em minha maneira de ver, seria bastante salutar para ele próprio, no atual momento do clube.

Se bem conheço Jair Picerni, sou convicto de que esta seria a sua primeira e convicta atitude na qualidade de novo treinador, substituindo os dispensáveis e os dispensados, pela garotada da base e por jogadores de maior qualidade, embora sem nome e fama, que ele tanto conhece por sua larga militância no futebol do interior.

Em meu entendimento, a elaboração de uma lista de dispensas com a abrangência sobre os revoltados, os acomodados, os desinteressados e de tantos "come-dorme" (todo clube os têm) reduziria o tamanho do elenco palmeirense, desinchando-o.

Essa autêntica seleção de qualidade, proporcionaria ao novo treinador muito mais firmeza, comando e muito melhores condições de trabalho. 

Além de tudo, embora aumentando a responsabilidade dos que permanecessem, ensejaria aos garotos da base, muito além da expectativa de uma titularidade próxima, maior confiança para o desenvolvimento de seus respectivos trabalhos.

Sob esse aspecto, entendo que Júnior tenha errado, na mesma proporção em que, compreendo, o seu intuito não foi outro, senão o de evitar junto ao elenco quaisquer antipatias ou desgastes, em torno de sua recente presença e de sua comissão técnica no comando palmeirense.

Trata-se de um momento delicado da vida do clube, e, Júnior tem como objetivo paralelo, manter seu elenco pacificado, sem sobressaltos e em pleno gozo da plenitude da paz do ambiente a fim de poder trabalhar sob menor pressão! 

Mas, se Dorival não notou, se não se tocou, ou, se ainda, não percebeu, esse aspecto é inalcançável em qualquer aglomerado humano, até nos mais reduzidos como um convento, quanto mais em um clube de futebol. 

Os problemas extra grupo, isto é, em relação aos adversários e ao ambiente hostil que nos cerca, existem, naturalmente, e, sempre, existirão. 

Mas, circunstâncias existem em que os problemas intra grupo podem se tornar ainda mais destrutivos e deletérios.

Embora tantos possam discordar de aspectos de minha linha crítica em relação ao trabalho de Dorival, não creio que eu esteja errado! 

O comportamento bizarro e instável  do time em campo é a prova provada, efetiva e irrefutável de que, por enquanto, nós é que estamos certos.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa! O ditado é tão comum que sequer lembramos que ele existe. Por isso, o que friso abaixo, serve para aqueles que estão imaginando que em razão do lançamento de tantos jovens, Dorival está "revolucionando" o Palmeiras. Muito longe disto!

As múltiplas alterações, a promoção de jogadores "esquecidos" e os muitos juniores que Dorival vem escalando como titulares, não são sinais evidentes de que o novo técnico seja corajoso, revolucionário ou que esteja provendo uma revolução técnica, tática ou individual na equipe...

Dorival age por instinto e necessidade, e, apenas, supre as necessidades do time em face de tantas demandas, decorrentes de impedimentos, julgamentos, suspensões e contusões.

Por isso, não vejo nenhuma revolução no trabalho do sobrinho de Dudu, ao menos até agora. Só uma discreta evolução!

Empenho, esforço e muito trabalho, sinalizam um pequeno progresso, mas, convenhamos, ainda, é pouco, muito pouco, mesmo. A rigor, estamos (ainda) marcando passo!

Diferentemente de Dorival, fosse eu o treinador, elaboraria, o mais rapidamente possível, uma completa lista de dispensas, doesse a quem doesse. Urgentemente!

Removeria os escolhos, o chamado restolho do elenco, escolheria a dedo os jogadores que iriam permanecer, e, principalmente, definiria um time base, no qual só efetuaria as inevitáveis alterações decorrentes de cartões ou contusões, com pleno aproveitamento da garotada egressa das categorias de inferior idade.

Dorival, imagino, vai esbarrar, ainda, em múltiplos problemas, em razão do inútil e pernicioso gigantismo do elenco, repleto de gringos de futebol tosco, mas de temperamento muito forte,  indomados e indomáveis!

Teria sido (conforme comentei) fundamental uma vitória domingo passado sobre o Figueira em Floripa, pois teria proporcionado, além do necessário desafogo psicológico do grupo, mais força, autoestima e confiança para os próximos eventos, neste momento do campeonato a que chamamos de crucial.

Perdemos, portanto, mais uma semana de trabalho e o precioso tempo dele decorrente, cada vez mais escasso, aumenta, nas mesmas proporções, a sombra de nossas incertezas. 

Ainda assim, com tudo e por tudo, acredito numa volta por cima. Deus é palmeirense!

Quero encerrar este post fazendo uso da última frase com a qual encerrei a postagem de ontem:
  
"... embora machucados, ainda vamos sair dessa enrascada!

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PS: Após tanto tempo vejo o Palmeiras respeitado pela Justiça Esportiva. A mídia convencional fez de tudo para que Valdívia fosse apenado com violência, mas o nosso único craque só recebeu dois jogos como punição! Efeito suspensivo para Valdívia, hoje, agora, já!

Não disse que, este ano, estamos contando com a especialíssima proteção dos deuses do futebol, que, certamente, não são os auditores do STJD, por eles influenciados?

Eu não acredito que seremos rebaixados! (AD)